Semaglutida oral (Rybelsus)
A semaglutida oral, comercializada sob o nome Rybelsus, representa um avanço significativo no manejo do diabetes mellitus tipo 2, por se tratar do primeiro agonista do receptor de GLP-1 disponível em formulação por via oral. A semaglutida pertence à classe dos incretinomiméticos e atua mimetizando a ação do hormônio GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1), cuja função fisiológica envolve a estimulação da secreção de insulina dependente da glicose, a redução da liberação de glucagon pelo pâncreas, o retardamento do esvaziamento gástrico e o aumento da sensação de saciedade. Esses mecanismos contribuem para o melhor controle glicêmico e, secundariamente, para a redução do peso corporal, um fator clínico relevante em pacientes com resistência insulínica.
A formulação oral da semaglutida é possível graças à inclusão de um absorvedor de permeabilidade, o SNAC (N-(8-[2-hidroxi-benzóico] amino) caprilato de sódio), que facilita a absorção do fármaco através da mucosa gástrica. Esse componente protege a molécula peptídica da degradação gástrica e aumenta sua solubilidade, permitindo que ela alcance a circulação sistêmica em concentrações terapêuticas. Apesar disso, a biodisponibilidade da semaglutida oral permanece baixa, exigindo orientações rigorosas quanto à administração: deve ser ingerida em jejum, com pequena quantidade de água, e o paciente deve aguardar pelo menos 30 minutos antes de ingerir alimentos, bebidas ou outros medicamentos.
Diversos estudos clínicos, como os ensaios do programa PIONEER, demonstraram a eficácia da semaglutida oral na redução da hemoglobina glicada (HbA1c), com resultados comparáveis ou superiores a outros antidiabéticos orais e, em alguns casos, semelhante às formulações injetáveis de GLP-1. Além do controle glicêmico, foi observada redução significativa no peso corporal, o que contribui para a melhora do perfil cardiometabólico. A semaglutida também apresenta efeitos benéficos na função endotelial e no perfil inflamatório sistêmico, embora nem todos esses impactos estejam completamente elucidados.
Os eventos adversos mais frequentes associados ao uso da semaglutida oral são gastrointestinais, como náuseas, diarreia, constipação e vômitos, efeitos relacionados à ação do GLP-1 no trato gastrointestinal e ao atraso no esvaziamento gástrico. Tais eventos tendem a ser mais intensos no início do tratamento, sendo reduzidos com a titulação gradual da dose. A semaglutida é contraindicada em indivíduos com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide e em casos de neoplasia de células C da glândula tireoide, devido ao risco observado em estudos pré-clínicos com animais.
A semaglutida oral representa uma alternativa eficaz e inovadora no tratamento do diabetes mellitus tipo 2, especialmente para pacientes que apresentam dificuldade ou resistência à administração injetável. Sua capacidade de melhorar o controle glicêmico e auxiliar na perda de peso reforça sua importância no contexto terapêutico contemporâneo, embora seu uso exija acompanhamento clínico contínuo para manejo de efeitos adversos e adequação posológica.

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