Erros Frequentes de Escrituração e Como Corrigir

 Erros Frequentes de Escrituração
 e Como Corrigir

Divergências comuns, impacto das advertências e auditoria interna semanal

Nenhuma farmácia opera o SNGPC sem cometer erros ao longo do tempo, a questão não é se os erros ocorrerão, mas se serão identificados e corrigidos antes que se acumulem a ponto de comprometer a integridade da escrituração. A vigilância proativa sobre a própria base de dados é uma das competências mais valiosas que um farmacêutico RT pode desenvolver, transformando o que poderia ser uma bomba-relógio regulatória em um sistema continuamente saneado e confiável.

O erro mais frequente e de mais difícil detecção é a troca de lote no momento da venda. Quando o atendente busca o produto no armário e registra um lote diferente do que está fisicamente na caixa entregue ao cliente, por descuido, por semelhança entre embalagens ou por desorganização do armário, o sistema começa a acumular distorções: o lote incorreto fica com saldo negativo virtual enquanto o lote correto mostra saldo positivo que não existe fisicamente. Esse tipo de divergência só é descoberto quando o saldo virtual do lote errado zera ou vai a negativo, gerando mensagem de advertência no sistema.

A digitação incorreta do CRM do prescritor é outro erro recorrente. O SNGPC valida os CRMs contra a base do Conselho Federal de Medicina, portanto um CRM inexistente ou com dígito trocado gera advertência imediata. Alguns sistemas de software permitem consulta online ao CFM no momento do lançamento, o que ajuda a evitar esse problema. Para prescrições de dentistas (CRO) ou enfermeiros prescritores (COREN), a validação é feita contra as respectivas bases dos conselhos, e o campo de identificação do conselho de classe deve ser preenchido corretamente.

Quantidade divergente é o erro mais simples de entender e um dos mais graves em termos de impacto: registrar a venda de 2 caixas quando foram vendidas 3, ou vice-versa, cria uma discrepância direta e imediata entre o estoque virtual e o físico. Esse tipo de erro geralmente resulta de distração no atendimento ou de lançamento retrospectivo feito de memória ao final do turno. A solução preventiva é registrar cada venda imediatamente após sua realização, enquanto a receita ainda está em mãos.

O atraso no envio de arquivos gera infrações progressivas. Uma transmissão atrasada em dias gera advertência; atrasos sistemáticos ou ausência de transmissão por períodos prolongados podem resultar em notificação formal e abertura de processo administrativo pela VISA. Farmácias que passaram por problemas técnicos, falha de internet, troca de computador, atualização problemática de software, devem contatar imediatamente a ANVISA ou a VISA local para comunicar a situação e orientar-se sobre os procedimentos de retransmissão de dados atrasados.

A estratégia mais eficaz para controlar todos esses riscos é a auditoria interna semanal. Uma vez por semana, preferencialmente em um dia de menor movimento, o farmacêutico RT deve reservar 30 a 60 minutos para realizar as seguintes verificações: conferir o saldo virtual de cada produto controlado no sistema e compará-lo com a contagem física no armário; revisar os status das últimas transmissões de XML e verificar se há advertências ou rejeições pendentes; checar se há lotes com saldo negativo ou zero no sistema que ainda apresentam unidades físicas no armário; e verificar se há receitas retidas que não foram associadas a nenhum registro de venda.

Ferramentas de auditoria disponíveis nos próprios softwares de gestão, como relatórios de divergência entre estoque físico e virtual, listagem de advertências do SNGPC e resumo de transmissões pendentes, devem ser utilizadas sistematicamente. A auditoria semanal transforma o que seria uma crise descoberta durante uma inspeção sanitária em um processo contínuo de manutenção corretiva, protegendo o estabelecimento e o farmacêutico RT de consequências que poderiam ser evitadas com 30 minutos de atenção por semana.

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