Alzheimer e o Donepezila,
ou Rivastigmina (Exelon) e a Memantina (Ebix)
A donepezila, comercializada sob nomes como Eranz ou Aricept, é um inibidor seletivo e reversível da acetilcolinesterase, enzima responsável pela degradação da acetilcolina (ACh), um neurotransmissor essencial para a transmissão de impulsos nervosos no sistema colinérgico.
Seu mecanismo de ação principal consiste em bloquear a quebra da ACh, elevando seus níveis sinápticos e, consequentemente, melhorando a sinalização neuronal em regiões cerebrais afetadas pela DA, como o hipocampo e o córtex. Essa abordagem é particularmente eficaz em estágios iniciais da doença, onde a deficiência colinérgica é proeminente.
Quanto aos efeitos colaterais, os mais comuns incluem náuseas, vômitos, diarreia, perda de apetite e insônia, decorrentes da hiperestimulação colinérgica periférica. Efeitos menos frequentes envolvem bradicardia e fadiga, exigindo monitoramento em pacientes com comorbidades cardíacas. Apesar disso, seu perfil de segurança é favorável quando comparado a outros inibidores, com baixa incidência de hepatotoxicidade.
Já a rivastigmina, conhecida como Exelon, atua como um inibidor pseudoirreversível da acetilcolinesterase e butirilcolinesterase (BChE), enzimas que degradam a ACh no cérebro e no sistema nervoso periférico. Diferentemente da donepezila, sua ação dupla permite uma inibição mais ampla, potencializando a ACh em áreas como o córtex frontal e temporal, regiões críticas para a cognição e o comportamento na DA. Disponível em formas orais e transdérmicas (patches), a rivastigmina oferece flexibilidade na administração, reduzindo flutuações plasmáticas e melhorando a adesão ao tratamento.
Seu uso é aprovado para demência leve a moderada na DA e também na doença de Parkinson com demência, com doses iniciais de 1,5 mg duas vezes ao dia, tituladas até 6 mg bid ou equivalente em patch. Evidências indicam benefícios em sintomas cognitivos e funcionais, com possível superioridade em pacientes com declínio mais rápido devido à sua ação sobre a BChE, que aumenta na DA avançada.Dissertativamente, a rivastigmina ilustra a evolução dos inibidores colinérgicos, incorporando inibição enzimática múltipla para abordar a heterogeneidade da DA, embora exija titulação cuidadosa para evitar intolerância.
Os efeitos adversos são semelhantes aos da donepezila, mas potencialmente mais intensos, incluindo náuseas, vômitos, anorexia, astenia e perda de peso, especialmente na fase inicial de tratamento.A formulação transdérmica mitiga alguns sintomas gastrointestinais, mas pode causar reações cutâneas locais. Monitoramento de peso e função gastrointestinal é essencial, particularmente em idosos frágeis.
Indicada para DA moderada a grave, a memantina é administrada em doses de 5 mg a 20 mg diários, com titulação gradual para minimizar efeitos adversos. Ela melhora sintomas como confusão, agitação e declínio funcional, sendo particularmente útil em pacientes que não toleram inibidores de AChE. Em uma perspectiva dissertativa, a memantina representa um avanço no entendimento multifatorial da DA, destacando que o glutamato, além de neurotransmissor, pode ser neurotóxico em excesso, e sua modulação oferece uma estratégia sinérgica para estágios avançados.
Efeitos colaterais são geralmente leves, incluindo tontura, cefaleia, constipação e sonolência, com menor incidência de sintomas gastrointestinais comparado aos inibidores colinérgicos. Raros casos de psicose ou insuficiência cardíaca demandam cautela em pacientes com histórico psiquiátrico ou cardiovascular.
Estudos sugerem que galantamina (outro inibidor) pode ter menos eventos adversos que donepezila ou rivastigmina, mas para essas três, a escolha depende do estágio da doença: colinérgicos para leve-moderado e memantina para avançado.
Assim essas medicações exemplificam o estado atual da farmacoterapia na DA: sintomática e multifacetada. Embora eficazes em retardar sintomas, elas não alteram o curso da doença, reforçando a necessidade de pesquisas em terapias modificadoras. A integração com intervenções não farmacológicas, como estimulação cognitiva, otimiza resultados, promovendo uma abordagem holística no cuidado ao paciente com Alzheimer.



Comentários
Postar um comentário