Naltrexona (Revia)

 Naltrexona
(Revia)


A naltrexona, conhecida comercialmente como Revia, é um medicamento que se destaca por sua atuação em uma área sensível e complexa da medicina: o tratamento da dependência química. Pertencente à classe dos antagonistas opioides, sua principal função é bloquear os efeitos e a euforia causados por substâncias como opioides e álcool, tornando-se uma ferramenta crucial para a recuperação e a prevenção de recaídas.

O principal uso da naltrexona é no tratamento do transtorno por uso de opioides. A dependência de substâncias como heroína, morfina e analgésicos prescritos (oxicodona, fentanil) é um desafio de saúde pública, e a naltrexona age diretamente no mecanismo cerebral da dependência. Ela é um antagonista competitivo dos receptores opioides. Isso significa que a naltrexona se liga a esses receptores, como os mu-opioides, mas não os ativa. Ao ocupar esses locais, ela impede que os opioides consumidos pelo paciente se liguem e produzam seus efeitos, como a euforia, a analgesia e a sedação. Essa ação neutralizante elimina a recompensa associada ao uso da droga, o que ajuda a quebrar o ciclo de busca e consumo. É fundamental que o paciente esteja livre de opioides por um período de 7 a 10 dias antes de iniciar o tratamento com naltrexona, para evitar a precipitação de uma síndrome de abstinência aguda e severa.

Além de seu papel no tratamento da dependência de opioides, a naltrexona também é um medicamento eficaz no tratamento do transtorno por uso de álcool. Embora o álcool não seja um opioide, seu consumo e seus efeitos prazerosos também envolvem vias de recompensa no cérebro, incluindo o sistema opioide endógeno. Acredita-se que a naltrexona atue nesse contexto ao reduzir a compulsão e o "desejo" por álcool, além de diminuir o prazer percebido com o consumo. Isso ajuda o paciente a reduzir o consumo excessivo e a manter a abstinência.

A administração da naltrexona geralmente é feita por via oral (Revia), em comprimidos diários. É importante que o tratamento seja parte de um plano de recuperação mais amplo, que inclua acompanhamento psicológico e social. A naltrexona não causa dependência e não tem potencial de abuso, o que a torna uma opção segura.

No entanto, como todo medicamento, a naltrexona pode ter efeitos colaterais, como náuseas, dores de cabeça, tontura e ansiedade. Os efeitos colaterais costumam ser mais proeminentes no início do tratamento e tendem a diminuir com o tempo. A naltrexona é contraindicada para pacientes com hepatite aguda ou insuficiência hepática grave, e o uso de opioides durante o tratamento com naltrexona é extremamente perigoso, pois o paciente pode tentar doses muito altas para superar o bloqueio, com risco de overdose fatal. A naltrexona (Revia) é um pilar no tratamento da dependência, oferecendo aos pacientes uma chance de recuperar o controle de suas vidas, mas seu sucesso depende de um tratamento integrado e supervisionado.



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