Metoprolol (succinato)
O Metoprolol é um dos betabloqueadores mais prescritos globalmente, e sua formulação de succinato de metoprolol (metoprolol de liberação prolongada) é particularmente valorizada na cardiologia. Este medicamento pertence à classe dos betabloqueadores de segunda geração, caracterizando-se por sua cardiosseletividade – a afinidade preferencial pelos receptores beta-1 adrenérgicos em detrimento dos beta-2. Essa seletividade, juntamente com a liberação controlada do succinato, estabelece o Metoprolol succinato como um tratamento fundamental para a insuficiência cardíaca crônica, hipertensão e angina de peito.
Mecanismo de Ação e Cardiosseletividade
O Metoprolol é um antagonista competitivo dos receptores beta-adrenérgicos. Sua principal ação reside no bloqueio dos receptores β1, que são predominantes no miocárdio e no sistema de condução cardíaco. Ao inibir a ligação das catecolaminas (noradrenalina e adrenalina), o Metoprolol succinato modula a hiperatividade do sistema nervoso simpático, resultando em:
Redução da Frequência Cardíaca (Efeito Cronotrópico Negativo): Diminui a taxa de disparo do nódulo sinoatrial e retarda a condução no nódulo atrioventricular (AV). Isso permite um tempo de enchimento diastólico mais longo, o que é crucial para otimizar o débito cardíaco e a perfusão coronariana.
Redução da Contratilidade Miocárdica (Efeito Inotrópico Negativo): Diminui a força de contração do músculo cardíaco, reduzindo o consumo de oxigênio pelo miocárdio (MVO2).
Ação Anti-hipertensiva: Contribui para a redução da pressão arterial pela diminuição do débito cardíaco e pela inibição da liberação de renina pelos rins.
A cardiosseletividade do Metoprolol confere uma importante vantagem clínica. Em doses terapêuticas, a ação nos receptores β1 é maximizada, enquanto a inibição dos receptores β2, presentes principalmente nos brônquios e nos vasos periféricos, é minimizada. Isso reduz o risco de efeitos adversos comuns a betabloqueadores não seletivos, como o broncoespasmo em pacientes com asma ou doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), e a vasoconstrição periférica. No entanto, é vital notar que a seletividade é dose-dependente; em doses mais elevadas, o Metoprolol pode perder sua seletividade e começar a bloquear os receptores β2.
Farmacocinética do Succinato (Liberação Prolongada)
A formulação de succinato de metoprolol é a chave para seu uso crônico e eficaz, particularmente na insuficiência cardíaca. Ao contrário do tartarato de metoprolol (liberação imediata), que exige múltiplas doses diárias devido à sua meia-vida curta e alta taxa de metabolismo de primeira passagem, o succinato é projetado para uma liberação lenta e constante do fármaco.
Após a administração oral, o succinato é bem absorvido, mas sofre um extenso metabolismo de primeira passagem hepática através das enzimas do citocromo P450, principalmente a CYP2D6. A biodisponibilidade é moderada e variável, geralmente em torno de 50%. A formulação de liberação prolongada, no entanto, garante que o nível plasmático terapêutico seja mantido de forma mais uniforme ao longo de 24 horas, o que permite a administração de dose única diária. Isso não só melhora a adesão do paciente ao tratamento, como também evita picos de concentração plasmática que podem induzir efeitos colaterais e vales de concentração que podem comprometer a eficácia. A meia-vida de eliminação do metoprolol é de aproximadamente 3 a 7 horas, mas o efeito clínico da formulação de succinato persiste por todo o dia devido à cinética de liberação.
Indicações Clínicas e Evidência Científica
O Metoprolol succinato é um dos três betabloqueadores (junto com o Bisoprolol e o Carvedilol) com evidências de Classe I para o tratamento da Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Reduzida (ICFER). O estudo MERIT-HF demonstrou que o metoprolol de liberação prolongada reduziu significativamente a mortalidade por todas as causas e as hospitalizações em pacientes com ICFER. Na insuficiência cardíaca, o medicamento é introduzido em doses baixas e titulado gradualmente, visando a dose-alvo do estudo clínico, para reverter os danos da estimulação simpática crônica e melhorar a função ventricular a longo prazo.
Outras indicações primárias incluem: Hipertensão Arterial: Utilizado como agente de primeira ou segunda linha, frequentemente em combinação.
Angina de Peito Estável: Reduz a frequência cardíaca e a contratilidade, diminuindo a demanda de oxigênio do miocárdio e prevenindo episódios de isquemia.
Controle de Taquicardias: É eficaz no controle da frequência ventricular na fibrilação atrial e no flutter atrial.
Pós-Infarto Agudo do Miocárdio (IAM): Demonstrou reduzir o risco de reinfarto e mortalidade em pacientes após um evento isquêmico.
Considerações de Segurança
As contraindicações para o Metoprolol succinato são as típicas da classe: bradicardia sinusal grave, choque cardiogênico, bloqueio atrioventricular de segundo ou terceiro grau e insuficiência cardíaca descompensada. Os efeitos adversos mais comuns incluem fadiga, tontura e bradicardia. Devido ao seu metabolismo pela CYP2D6, o Metoprolol pode interagir com inibidores dessa enzima (como a Fluoxetina ou a Paroxetina), o que pode elevar suas concentrações plasmáticas e aumentar o risco de toxicidade.
O Metoprolol succinato é um medicamento essencial e sofisticado. Sua cardiosseletividade oferece um perfil de segurança superior em relação aos betabloqueadores não seletivos, enquanto sua formulação de liberação prolongada garante a adesão e a eficácia sustentada, fundamentais para a sua consolidação como uma terapia vital no manejo da insuficiência cardíaca crônica e de diversas outras patologias cardiovasculares.

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