Linagliptina (Trayenta)

 Linagliptina
 (Trayenta)



A linagliptina, comercializada sob o nome Trayenta, é um medicamento pertencente à classe dos inibidores da dipeptidil peptidase-4 (DPP-4), utilizados no tratamento do diabetes mellitus tipo 2. Seu mecanismo de ação está fundamentado na modulação do sistema das incretinas, um conjunto de hormônios gastrointestinais, entre os quais se destacam o GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1) e o GIP (polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose). Esses hormônios estimulam a secreção de insulina pelas células β pancreáticas e reduzem a liberação de glucagon pelas células α, mas possuem meia-vida curta devido à rápida degradação pela enzima DPP-4. Ao inibir essa enzima, a linagliptina prolonga a atividade das incretinas, promovendo melhora da homeostase glicêmica, especialmente no período pós-prandial.

Uma característica farmacocinética distinta da linagliptina é o fato de ser eliminada predominantemente por via biliar e intestinal, ao contrário de outros fármacos da mesma classe, que são majoritariamente excretados pelos rins. Essa propriedade confere à linagliptina uma vantagem clínica relevante: não há necessidade de ajuste de dose em pacientes com insuficiência renal, incluindo aqueles em estágio avançado da doença. Por esse motivo, a linagliptina é frequentemente considerada a opção preferencial entre os inibidores da DPP-4 para indivíduos com comprometimento da função renal.

A eficácia da linagliptina foi amplamente demonstrada em ensaios clínicos, nos quais se observou redução da hemoglobina glicada (HbA1c) entre 0,5% e 1%, de acordo com o perfil glicêmico basal do paciente e a terapia associada. O medicamento pode ser utilizado como monoterapia quando a metformina é contraindicada ou não tolerada, ou em terapia combinada com metformina, sulfonilureias, insulina ou inibidores de SGLT2. A combinação com metformina é especialmente comum e apresenta efeito sinérgico, uma vez que a metformina reduz a produção hepática de glicose, enquanto a linagliptina melhora a resposta insulinotrópica dependente de glicose.

O perfil de segurança da linagliptina é considerado favorável. Os efeitos adversos mais frequentes são leves, incluindo cefaleia, rinite, nasofaringite e desconfortos gastrointestinais discretos. Além disso, a linagliptina não está associada ao ganho de peso, um aspecto importante para muitos pacientes com diabetes tipo 2, que frequentemente apresentam sobrepeso ou obesidade. O risco de hipoglicemia é baixo quando o medicamento é utilizado isoladamente ou em associação com agentes que não estimulam diretamente a secreção de insulina. No entanto, quando combinado a sulfonilureias ou insulina, pode ser necessário ajustar as doses desses fármacos para reduzir o risco de hipoglicemia. Há relatos raros de pancreatite, motivo pelo qual deve-se monitorar sintomas como dor abdominal persistente e intensa.

A linagliptina (Trayenta) constitui uma opção terapêutica eficaz e segura para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2, principalmente em pacientes que requerem esquemas flexíveis, sem necessidade de ajuste de dose em diferentes níveis de função renal. Sua ação baseada na regulação das incretinas, associada ao baixo risco de hipoglicemia e à boa tolerabilidade, consolida sua relevância no manejo clínico contemporâneo da doença.



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