A Candesartana apresenta-se como outro membro de alta potência dentro da classe dos BRA, com um mecanismo de ação distintivo que beira a irreversibilidade. Similar à olmesartana, sua força reside na interação única com o receptor AT1. A candesartana cilexetil é administrada como um pró-fármaco inativo, que é rapidamente e completamente hidrolisado no trato gastrointestinal para liberar o composto ativo, o candesartana. Uma vez na corrente sanguínea, o candesartana ativo viaja até seus sítios de ação. É na ligação ao receptor AT1 que sua magia acontece: ela se liga com alta afinidade e de forma competitiva, mas sua interação é tão forte e duradoura que se comporta funcionalmente como um antagonista insuperável ou pseudo-irreversível. Acredita-se que a molécula forme ligações não-covalentes excepcionalmente estáveis, dissociando-se do receptor a uma taxa muito lenta. Este bloqueio virtualmente irreversível garante uma supressão sustentada e contínua dos efeitos da angiotensina II.
Farmacocineticamente, o pró-fármaco (candesartana cilexetil) tem uma biodisponibilidade absoluta de cerca de 15%, não sendo significativamente afetada pelos alimentos. Após a conversão, o candesartana ativo atinge concentrações plasmáticas máximas em 3 a 4 horas. Ele sofre um metabolismo hepático mínimo, sendo predominantemente excretado inalterado na urina (cerca de 33%) e nas fezes (cerca de 67%), via bile. Sua meia-vida plasmática é longa, entre 9 e 13 horas, o que, aliado à sua ligação firme ao receptor, suporta uma administração diária única com excelente cobertura de 24 horas.
As credenciais clínicas da candesartana são robustas e bem estabelecidas. É altamente eficaz no tratamento da hipertensão arterial. Seu marco histórico mais importante veio do estudo CHARM (Candesartan in Heart failure, Assessment of Reduction in Mortality and morbidity), um programa monumental que solidificou o papel dos BRA na insuficiência cardíaca. O CHARM demonstrou que a candesartana reduziu significativamente os desfechos cardiovasculares (mortalidade cardiovascular e hospitalizações por ICC) em uma ampla gama de pacientes com insuficiência cardíaca, inclusive naqueles com fração de ejeção preservada, uma população de tratamento particularmente desafiador. Além disso, a candesartana também tem indicação para a proteção renal em pacientes com diabetes tipo 2 e microalbuminúria ou proteinúria. Por seu bloqueio potente e durável e suas evidências de desfecho sólidas em insuficiência cardíaca, a candesartana é frequentemente vista como um dos BRA de escolha para condições onde se busca uma modulação máxima e contínua do SRAA.
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