O Aliado Renal e Metabólico Irbesartana (Avapro)

O Aliado Renal e Metabólico
Irbesartana (Avapro)


O Irbesartana posiciona-se como um BRA com um perfil de segurança renal particularmente favorável e uma interessante sinergia com a terapia diurética, tornando-o uma escolha comum na prática clínica, especialmente quando há envolvimento renal ou necessidade de combinação. Quimicamente, não é um pró-fármaco, sendo administrado em sua forma ativa. Ele antagoniza de forma competitiva e seletiva o receptor AT1, oferecendo um bloqueio eficaz. Embora sua potência intrínseca seja ligeiramente menor quando comparada à candesartana ou olmesartana, seu perfil farmacocinético e evidências clínicas específicas lhe conferem um nicho importante.

Farmacocineticamente, o irbesartana possui uma biodisponibilidade oral elevada (60-80%), que não é afetada pela ingestão de alimentos, facilitando a adesão ao tratamento. Após administração oral, atinge concentrações plasmáticas máximas em 1,5 a 2 horas. Ele é metabolizado no fígado, principalmente por oxidação via CYP2C9, e sua excreção é predominantemente biliar (cerca de 80%) e, em menor grau, renal (cerca de 20%). Sua meia-vida é longa, de 11 a 15 horas, permitindo uma dose única diária com manutenção do efeito anti-hipertensivo.

O perfil clínico do irbesartana é marcado por fortes evidências em nefropatia diabética. Os estudos IRMA-2 (Irbesartan in patients with type 2 diabetes and microalbuminuria) e IDNT (Irbesartan Diabetic Nephropathy Trial) foram fundamentais. O IRMA-2 demonstrou que o irbesartana retardou a progressão da microalbuminúria para proteinúria franca em pacientes com diabetes tipo 2. O IDNT, mais robusto, mostrou que o irbesartana foi superior ao anlodipino e ao placebo em retardar a progressão da nefropatia diabética estabelecida (com proteinúria) para os estágios finais da doença renal, estabelecendo-o como um agente renoprotetor de primeira linha nesta população. Além disso, o irbesartana tem uma interação sinérgica bem conhecida com a hidroclorotiazida (HCTZ). A combinação fixa irbesartana/HCTZ é muito eficaz, pois o BRA atenua a ativação compensatória do SRAA induzida pelo diurético, enquanto o diurético potencializa o efeito anti-hipertensivo. Esta sinergia o torna uma opção valiosa para o controle da hipertensão arterial em estágios 1 e 2, frequentemente alcançando metas pressóricas com a combinação em dose fixa.



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