Valsartana
(Diovan)
A Valsartana é um pilar fundamental da classe dos BRA, reconhecida não apenas por sua robustez em monoterapia, mas também por seu papel seminal em combinações sinérgicas que definiram padrões de tratamento. Diferente da losartana, a valsartana não é um pró-fármaco; ela é administrada em sua forma ativa, pronta para exercer seu antagonismo competitivo e seletivo no receptor AT1. Esta característica confere um início de ação anti-hipertensiva ligeiramente mais previsível e direto. Sua estrutura química, um derivado valérico, foi desenhada para uma ligação potente e duradoura ao sítio alvo.
Farmacocineticamente, a valsartana apresenta uma biodisponibilidade absoluta média de cerca de 25%, que pode cair significativamente (até 40-50%) se administrada com uma refeição rica em gordura. Portanto, recomenda-se sua ingestão em jejum ou de forma consistente em relação às refeições. Após administração oral, atinge concentrações plasmáticas máximas em 2 a 4 horas. Seu metabolismo hepático é limitado (apenas cerca de 20% da dose é metabolizada), sendo a maior parte da droga excretada inalterada pelas fezes, via secreção biliar ativa. Apenas uma pequena fração (cerca de 30%) aparece na urina na forma de metabólitos. Sua meia-vida é de aproximadamente 6 horas, mas, assim como outros BRA, o efeito anti-hipertensivo na prática clínica se estende por 24 horas devido à cinética de ligação ao receptor, permitindo dose única diária.
O perfil clínico da valsartana é marcado por evidências sólidas e versatilidade. É altamente eficaz no tratamento da hipertensão arterial. Seu momento de maior destaque veio com os estudos VALIANT (pós-infarto do miocárdio) e especialmente VAL-HEFT e CHARM, que a estabeleceram como uma opção eficaz na insuficiência cardíaca crônica com fração de ejeção reduzida, reduzindo mortalidade e morbidade, inclusive em pacientes já usando IECA e betabloqueador. No entanto, a grande inovação associada à valsartana foi a sua combinação fixa com o inibidor da neprilisina, sacubitril, formando o sacubitril/valsartana (Entresto). Esta associação revolucionou o tratamento da insuficiência cardíaca ao promover simultaneamente o bloqueio do receptor AT1 (valsartana) e o aumento de peptídeos natriuréticos protetores (via inibição da neprilisina pelo sacubitril). Além disso, combinações fixas com amlodipino (Exforge) e com hidroclorotiazida (Co-Diovan) são extremamente populares e eficazes. A valsartana, portanto, transcende sua identidade como simples BRA; ela é a pedra angular de algumas das combinações mais poderosas e inovadoras da cardiologia moderna.
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