Dasatinibe: O Inibidor de Segunda Geração com Amplo Espectro

 Dasatinibe
O Inibidor de Segunda Geração com Amplo Espectro


O dasatinibe é um inibidor de tirosina quinase (ITQ) oral de segunda geração, desenvolvido para superar a resistência e intolerância ao imatinibe na leucemia mieloide crónica (LMC) Philadelphia-positiva. Quimicamente distinto, é uma molécula mais potente que se liga de forma menos restritiva à quinase BCR-ABL, assumindo tanto a conformação ativa como inativa. Esta característica permite-lhe inibir a maioria das mutações de resistência ao imatinibe, exceto a notável mutação de porta de acesso T315I. Além do BCR-ABL, o dasatinibe tem um espectro de inibição mais amplo, bloqueando outras quinases da família Src (como SRC, LYN, HCK), importantes na mediação de vias de sinalização de sobrevivência e resistência, bem como o c-KIT e o PDGFR.

As indicações do dasatinibe centram-se principalmente nas neoplasias mieloides Philadelphia-positivas. É aprovado para o tratamento da LMC Ph+ em todas as fases (crónica, acelerada e blastária) tanto em primeira linha como após falha ou intolerância ao imatinibe. Em primeira linha, demonstrou respostas moleculares mais rápidas e profundas do que o imatinibe, embora sem um benefício claro em sobrevida global nesta configuração. É também aprovado para a leucemia linfoblástica aguda (LLA) Ph+ resistente ou intolerante a terapia prévia. O seu amplo espectro de atividade levou à sua investigação em outras neoplasias sólidas, mas sem indicações formais estabelecidas fora do contexto hematológico.

O perfil de toxicidade do dasatinibe difere significativamente do imatinibe. A toxicidade mais característica e potencialmente grave é a efusão pleural (derrame pleural), que pode ser unilateral ou bilateral e ocorre em uma percentagem significativa de pacientes, exigindo por vezes interrupção da terapia, diuréticos ou até toracocentese. Outros efeitos adversos incluem depressão medular (neutropenia, trombocitopenia), diarreia, cefaleia, fadiga e prolongamento do intervalo QT no eletrocardiograma. A sua potência também se associa a um risco maior de hemorragias significativas, relacionadas com a disfunção plaquetária por inibição de vias de sinalização. Diferente do imatinibe, causa menos edema e cãibras musculares. A escolha entre os ITQs de segunda geração (dasatinibe, nilotinibe, bosutinibe) na LMC considera o perfil de mutações de resistência, as comorbidades do paciente e os perfis de toxicidade distintos, sendo a efusão pleural um fator decisivo contra o dasatinibe em pacientes com doença pleural pré-existente ou com alto risco.

Comentários