Enzalutamida : O Inibidor do Receptor de Andrógeno de Nova Geração

 Enzalutamida
O Inibidor do Receptor de Andrógeno de Nova Geração


A enzalutamida é um inibidor do receptor de andrógeno (RA) de segunda geração, significativamente mais potente e com um mecanismo de ação mais abrangente do que os antiandrógenos de primeira geração como a bicalutamida. Foi desenvolvida para superar os mecanismos de resistência que limitavam os agentes anteriores, tornando-se um dos tratamentos transformadores para o câncer de próstata resistente à castração (CRPC). O seu mecanismo de ação triplo inclui: 1) Inibição competitiva da ligação dos andrógenos ao RA, com uma afinidade aproximadamente 5 a 8 vezes maior que a da bicalutamida; 2) Inibição da translocação nuclear do complexo RA-enzalutamida; e 3) Inibição da interação do RA com o DNA e do recrutamento de coativadores transcricionais. Este bloqueio mais profundo impede de forma mais eficaz a sinalização pró-tumoral, mesmo na presença de níveis baixos de andrógenos ou de receptores com mutações.

As indicações da enzalutamida expandiram-se rapidamente. Inicialmente aprovada para o CPRC metastático (mCRPC) pré-quimioterapia e pós-quimioterapia, demonstrou aumentos marcantes na sobrevida global. Posteriormente, os seus benefícios foram demonstrados em fases mais precoces da doença. Hoje, é aprovada para câncer de próstata metastático hormônio-sensível (mHSPC) em combinação com castração (GnRH), onde demonstra uma superioridade dramática sobre a castração isolada. Também é usada em câncer de próstata não metastático, mas resistente à castração (nmCRPC) com risco elevado de progressão, atrasando significativamente o aparecimento de metástases. É administrada por via oral, uma vez ao dia.

O perfil de toxicidade da enzalutamida é distinto, refletindo o seu potente bloqueio androgênico e alguns efeitos off-target no sistema nervoso central. Os efeitos adversos mais comuns incluem fadiga, fogachos, hipertensão arterial, queda cabelo, cefaleia e náuseas. Efeitos adversos mais sérios, embora menos comuns, incluem convulsões (o seu risco, ainda que baixo, contraindica o seu uso em pacientes com história de convulsões ou condições predisponentes, devido à atividade modulatória de alguns canais neuronais), trombocitopenia e toxicidade hepática. Diferente da bicalutamida, a enzalutamida causa menos ginecomastia. A sua potência e eficácia em múltiplos cenários da doença, desde a não metastática até à metastática avançada, revolucionaram o tratamento do câncer de próstata, estabelecendo um novo padrão de cuidado baseado numa supressão androgênica muito mais profunda e eficaz.



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