Gefitinibe – O Primeiro EGFR-TKI Oral e sua Jornada Clínica

 Gefitinibe
O Primeiro EGFR-TKI Oral e sua Jornada Clínica


O gefitinibe foi o primeiro inibidor da tirosina quinase do receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR-TKI) oral a ser aprovado, inicialmente de forma acelerada para o carcinoma de pulmão de não pequenas células (CPNPC) refratário, baseado em taxas de resposta promissoras em um subconjunto de pacientes. Tal como o erlotinibe, é um inibidor competitivo e reversível do sítio de ATP do EGFR, inibindo a sinalização downstream e induzindo apoptose em células tumorais dependentes desta via. A sua história clínica é instrutiva sobre a evolução da medicina de precisão: as respostas dramáticas iniciais observadas foram posteriormente compreendidas como estando quase exclusivamente confinadas a tumores que albergavam mutações ativadoras somáticas no gene EGFR (principalmente deleções no exon 19 e a mutação L858R no exon 21).

As indicações do gefitinibe refletem essa evolução. Após a confirmação do seu benefício seletivo em pacientes com mutação do EGFR, foi aprovado como terapia de primeira linha para CPNPC metastático com mutação ativadora do EGFR. Em estudos de fase III (como o IPASS), demonstrou superioridade sobre a quimioterapia à base de carboplatina/paclitaxel em termos de taxa de resposta e progressão livre de doença nesta população molecularmente selecionada. No entanto, estudos subsequentes com outros ITQs (erlotinibe, afatinibe) e, sobretudo, com osimertinibe, demonstraram perfis de eficácia e segurança mais favoráveis, fazendo com que o gefitinibe seja hoje menos utilizado nas principais diretrizes internacionais, embora permaneça uma opção em alguns contextos.

O perfil de toxicidade do gefitinibe é semelhante, mas geralmente considerado um pouco mais brando, do que o do erlotinibe. O rash acneiforme cutâneo e a diarreia são os efeitos adversos mais comuns, embora a incidência de diarreia seja ligeiramente menor. Também pode causar prurido, ressecamento da pele, estomatite, anorexia e elevação das enzimas hepáticas (transaminases), que requerem monitorização. A intersticiopatia pulmonar é uma toxicidade rara, mas grave, comum a todos os EGFR-TKIs. A dose padrão é de 250 mg uma vez ao dia, que é bem tolerada na maioria dos pacientes. A sua contribuição histórica foi fundamental para estabelecer o princípio de que a seleção de pacientes baseada em biomarcadores é crítica para o sucesso das terapias alvo, pavimentando o caminho para o desenvolvimento de toda uma nova geração de tratamentos personalizados para o câncer de pulmão.



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