O lenvatinibe é um inibidor de tirosina quinase oral multialvo de nova geração, com um perfil de inibição potente e distinto. Ele inibe de forma forte os receptores do fator de crescimento endotelial vascular (VEGFR-1, -2, -3), os receptores do fator de crescimento de fibroblastos (FGFR-1, -2, -3, -4), o receptor do fator de crescimento derivado de plaquetas alfa (PDGFR-α), e as quinases RET e KIT. A inibição simultânea de VEGFR, FGFR e PDGFR confere uma ação antiangiogénica profunda, atacando múltiplas vias de sinalização cruciais para a sobrevivência e crescimento endotelial, além de ter efeitos diretos sobre alguns tumores.
As indicações do lenvatinibe posicionam-no como um agente de primeira linha em neoplasias específicas. No carcinoma hepatocelular (CHC) avançado, demonstrou não-inferioridade ao sorafenibe em sobrevida global em um estudo de fase III, com taxas de resposta objetiva significativamente superiores, tornando-se uma opção padrão de primeira linha. No carcinoma diferenciado da tiroide refratário ao iodo radioativo (RAI), demonstrou uma superioridade marcante em relação ao placebo no tempo até à progressão, estabelecendo-se como terapia de referência. Além disso, em combinação com everolimus, é aprovado para o carcinoma de células renais (CCR) avançado após uma linha prévia de terapia antiangiogénica, e em combinação com pembrolizumabe para o carcinoma endometrial avançado.
O perfil de toxicidade do lenvatinibe é substancial, refletindo a sua potente atividade multiquinase. A toxicidade mais frequente e característica é a hipertensão arterial, que ocorre na maioria dos pacientes e requer monitorização rigorosa e início precoce de terapia anti-hipertensora. A síndrome mão-pé é comum, mas pode apresentar-se com um padrão mais de hiperqueratose do que o eritema típico. Outros efeitos adversos significativos incluem proteinúria (que pode evoluir para síndrome nefrótica), disfunção tireoidiana (hipotiroidismo), diarreia, náuseas/vômitos, perda de apetite, perda de peso, fadiga e alterações da voz. O risco de fístulas e perfurações do trato gastrointestinal é uma toxicidade grave que requer atenção. A sua posologia é diária, sem pausas, o que exige um manejo proativo e contínuo dos efeitos adversos para manter a dose eficaz. O lenvatinibe representa uma evolução nos inibidores multiquinases, com uma potência e um espectro de alvos que lhe conferem eficácia superior em indicações-chave como o CHC e o câncer de tiroide.
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