Letrozol: O Inibidor da Aromatase Não Esteroidal mais Potente

 Letrozol
O Inibidor da Aromatase Não Esteroidal mais Potente


O letrozol é, juntamente com o anastrozol, um inibidor da aromatase não esteroidal (tipo II) de terceira geração da classe dos triazóis. Considerado o inibidor da aromatase mais potente disponível clinicamente, é capaz de suprimir os níveis de estradiol circulante em mais de 99% em mulheres na pós-menopausa. O seu mecanismo é idêntico ao do anastrozol: ligação competitiva e reversível ao grupo heme da enzima aromatase (CYP19), bloqueando a conversão de andrógenos em estrogênios. A sua potência superior in vitro traduz-se clinicamente em uma eficácia antineoplásica robusta, embora estudos de comparação direta com o anastrozol no cenário adjuvante tenham mostrado eficácia e segurança globalmente semelhantes, consolidando ambos como opções de primeira linha.

As indicações do letrozol são extensas e sobrepõem-se totalmente às do anastrozol no tratamento do câncer de mama RE-positivo na pós-menopausa. É uma terapia padrão no cenário adjuvante inicial por até 10 anos, ou em sequência após tamoxifeno. No cenário metastático, é uma primeira linha altamente eficaz. Um dos seus papéis mais notáveis é no tratamento neoadjuvante, onde demonstrou altas taxas de resposta clínica e permitiu a realização de cirurgias conservadoras da mama em tumores inicialmente inoperáveis. Além disso, o letrozol tem um uso importante em oncologia reprodutiva, sendo utilizado para estimulação ovariana controlada em protocolos de fertilidade devido à sua capacidade de modular temporariamente o eixo hipotálamo-hipófise-ovariano, uma aplicação distinta da sua indicação oncológica.

O perfil de toxicidade do letrozol é muito semelhante ao de outros inibidores da aromatase não esteroidais, caracterizado pelos efeitos da depleção estrogênica. Fogachos, artralgias/mialgias (um efeito adverso particularmente proeminente e uma causa comum de redução de dose ou descontinuação), fadiga e ressecamento vaginal são frequentes. Tal como o anastrozol, o letrozol não aumenta o risco de patologia endometrial ou eventos tromboembólicos. O seu impacto negativo na saúde óssea é uma preocupação central, levando à aceleração da perda óssea e ao aumento do risco de osteoporose e fraturas. A monitorização com densitometria óssea e a instituição precoce de terapias como bisfosfonatos ou denosumabe são componentes essenciais do manejo a longo prazo. Efeitos metabólicos, como dislipidemia, também podem ocorrer. A potência e a eficácia comprovada do letrozol em múltiplos cenários, desde a redução de tumor neoadjuvante até a prevenção de recorrência a longo prazo, solidificaram a sua posição como um dos agentes endócrinos mais importantes na oncologia mamária moderna.



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