de Tolerabilidade Favorável no CCR
O pazopanibe é um inibidor de tirosina quinase oral multialvo seletivo, desenvolvido com o objetivo de obter uma eficácia comparável a outros agentes no carcinoma de células renais (CCR), mas com um perfil de tolerabilidade potencialmente melhorado. O seu espectro de inibição inclui principalmente os receptores do fator de crescimento endotelial vascular (VEGFR-1, -2, -3), o receptor do fator de crescimento derivado de plaquetas (PDGFR-α e -β), e a quinase c-KIT. Desta forma, atua predominantemente através da inibição da angiogênese tumoral, sem a ampla atividade sobre outras vias proliferativas intracelulares (como a via RAF) característica de outros multiquinases como o sunitinibe ou sorafenibe.
A principal indicação do pazopanibe é como terapia de primeira linha para o carcinoma de células renais (CCR) metastático de células claras. Em estudos de comparação direta com sunitinibe, demonstrou uma eficácia similar em termos de sobrevida global e progressão livre de doença, mas com um perfil de toxicidade significativamente diferente e, em algumas medidas, mais favorável à qualidade de vida. Isto levou muitos pacientes e clínicos a preferirem o pazopanibe como opção inicial. Também é aprovado para o tratamento de sarcomas de partes moles avançados após falha da quimioterapia convencional, onde demonstra atividade em vários subtipos histológicos.
A toxicidade do pazopanibe é dominada por efeitos relacionados à inibição do VEGFR, mas com algumas particularidades. A hipertensão arterial é muito comum e requer monitorização atenta. A toxicidade hepatotóxica é uma preocupação central: pode causar elevação significativa das transaminases (ALT/AST) e, menos frequentemente, hiperbilirrubinemia. A monitorização da função hepática é obrigatória antes do início e em intervalos regulares durante o tratamento, com ajuste ou interrupção da dose conforme necessário. Outros efeitos adversos comuns incluem diarreia, nausea, fadiga, alterações na coloração do cabelo (descoloração para um tom acinzentado), hipopigmentação da pele e anorexia. Comparado ao sunitinibe, tende a causar menos síndrome mão-pé, menos mucosite e menos impactos hematológicos graves (como neutropenia), mas mais alterações hepáticas. Esta diferença no perfil de toxicidade permite uma escolha personalizada com base nas comorbidades do paciente (ex.: evitar pazopanibe em pacientes com doença hepática pré-existente). A sua administração é diária, sem pausas programadas.
Comentários
Postar um comentário