Sunitinibe
O Inibidor Multiquinase no Carcinoma de Células Renais e GIST
O sunitinibe é um inibidor de tirosina quinase oral multialvo que bloqueia simultaneamente um amplo espectro de quinases envolvidas na tumorigénese, angiogénese e metastização. Os seus principais alvos incluem os receptores do fator de crescimento endotelial vascular (VEGFR-1, -2, -3), o receptor do fator de crescimento derivado de plaquetas (PDGFR-α e -β), c-KIT, FLT3, RET e CSF-1R. Esta inibição combinada exerce um efeito duplo: ataca diretamente as células tumorais que expressam algumas destas quinases (ex.: c-KIT em GIST) e priva o tumor do seu suporte vascular ao inibir a angiogénese mediada por VEGFR e PDGFR. A sua administração segue um regime padrão de 4 semanas em tratamento seguido de 2 semanas de descanso (esquema 4/2), permitindo a recuperação de alguns efeitos adversos.
O sunitinibe foi um dos primeiros agentes a demonstrar eficácia significativa no carcinoma de células renais (CCR) metastático de células claras, estabelecendo-se como uma terapia de primeira linha padrão na era pós-citocinas. No CCR, a inibição de VEGFR e PDGFR é particularmente relevante devido à frequência de inativação do gene supressor tumoral VHL, que leva à sobre-expressão de fatores pró-angiogénicos como o VEGF. Outra indicação fundamental é o tratamento de tumores do estroma gastrointestinal (GIST) após progressão ou intolerância ao imatinibe, onde a sua atividade contra c-KIT e PDGFR é crucial. Também é aprovado para tumores neuroendócrinos pancreáticos (pNET) avançados ou irressecáveis e para o carcinoma hepatocelular (CHC) após falha do sorafenibe.
A toxicidade do sunitinibe é substancial, mas manejável com vigilância e suporte. Muitos dos seus efeitos estão relacionados com a inibição de VEGFR. O efeito adverso mais comum é a fadiga, que pode ser incapacitante. A toxicidade cutânea característica é a síndrome mão-pé (eritrodisestesia palmoplantar), com eritema, edema, dor e descamação. É também notório por causar uma coloração amarela da pele (por deposição do fármaco) sem icterícia. Outros efeitos significativos incluem hipertensão arterial (que requer monitorização e tratamento), diarreia, mucosite, alterações no paladar, hipotiroidismo (que pode necessitar de reposição hormonal) e toxicidade hematológica (neutropenia, trombocitopenia). A sua toxicidade cumulativa e o padrão de fadiga cíclica com o esquema 4/2 são características distintivas. O sunitinibe permanece como uma opção importante no armamentário oncológico, especialmente para o CCR e GIST, ilustrando o valor dos inibidores multiquinases no bloqueio simultâneo de várias vias de sinalização do tumor e do seu microambiente.
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