TeniposídeoO Análogo do Etoposídeo com Maior Potência
e Aplicação na Oncologia Pediátrica
e Aplicação na Oncologia Pediátrica
O teniposídeo (VM-26) é um análogo estrutural do etoposídeo, diferindo pela substituição do grupo metil glicina por um anel tienil. Esta modificação confere-lhe uma maior potência in vitro como inibidor da topoisomerase II (Topo II), bem como diferenças farmacocinéticas, incluindo uma ligação proteica plasmática mais elevada e uma meia-vida de eliminação mais longa. O seu mecanismo de ação é idêntico ao do etoposídeo: estabilização do complexo covalente Topo II-DNA, levando à formação de quebras duplas de DNA e morte celular apoptótica.
Embora tenha sido estudado em várias neoplasias de adultos, o teniposídeo encontrou o seu nicho terapêutico mais importante e bem estabelecido na oncologia pediátrica e em leucemias linfoblásticas agudas (LLA) refratárias. É um agente de segunda ou terceira linha altamente eficaz no tratamento da LLA pediátrica recidivada ou refratária, frequentemente usado em combinação com citarabina ou outros agentes. O seu uso também está bem documentado em alguns tumores cerebrais pediátricos, como o neuroblastoma e certos gliomas. Em adultos, o seu uso é muito mais limitado, sendo por vezes considerado em linfomas refratários ou em protocolos de transplante de células estaminais.
O perfil de toxicidade do teniposídeo é semelhante ao do etoposídeo, mas com algumas nuances. A mielossupressão (neutropenia e trombocitopenia) é também a toxicidade dose-limitante principal. Tal como o etoposídeo, está associado a um risco aumentado de desenvolver leucemia mieloide aguda secundária (t-AML) com translocações no 11q23. Uma toxicidade característica e importante é o risco de reações de hipersensibilidade agudas, que podem ser graves e incluir hipotensão, broncospasmo e erupção cutânea. Por esta razão, a administração intravenosa é geralmente precedida de pré-medicação com anti-histamínicos e corticosteroides, e realizada em infusão lenta (superior a 60 minutos). Outras toxicidades incluem alopecia, náuseas/vômitos, hepatotoxicidade (elevação das transaminases) e mucosite. A necessidade de monitorização cuidadosa durante a infusão e a consciência do risco de t-AML são aspectos fundamentais do seu manejo. O teniposídeo permanece como uma ferramenta valiosa e potente, particularmente no arsenal do hematologista pediátrico, para o tratamento de leucemias agudas de difícil controle, demonstrando como pequenas variações químicas podem orientar um fármaco para aplicações clínicas específicas.
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