Terapêutica Farmacológica
da Acromegalia
O tratamento farmacológico da acromegalia fundamenta-se em três classes terapêuticas principais, indicadas para pacientes sem remissão cirúrgica ou com tumores irressecáveis. A acromegalia é uma endocrinopatia rara e crônica, geralmente causada por um adenoma hipofisário secretor de hormônio do crescimento (GH), resultando em níveis elevados de fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF-1) e manifestações sistêmicas progressivas que aumentam a morbimortalidade quando não controlada .
A primeira linha de tratamento medicamentoso consiste nos análogos da somatostatina (SRLs) de primeira geração (octreotida, lanreotida), que atuam como agonistas do receptor de somatostatina subtipo 2 (SSTR2), suprimindo a secreção de GH e reduzindo os níveis de IGF-1 em aproximadamente 50-60% dos pacientes, além de promoverem redução do volume tumoral em cerca de 30% dos casos . Estes agentes, administrados por via intramuscular ou subcutânea profunda a cada 4 semanas, constituem a monoterapia inicial em cerca de metade dos pacientes em centros de referência internacional . O pasireotida, um SRL de segunda geração com afinidade mais ampla pelos receptores SSTR (particularmente SSTR5), está indicado para pacientes refratários aos SRLs convencionais, com incorporação recente no Sistema Único de Saúde (SUS) conforme Portaria SECTICS/MS nº 25, de junho de 2024 .
O pegvisomanto, antagonista competitivo do receptor de GH, representa a segunda classe terapêutica. Este fármaco bloqueia a ação periférica do GH, normalizando os níveis de IGF-1 independentemente da secreção hormonal, sendo particularmente útil em pacientes resistentes aos SRLs ou com diabetes mellitus associada . Os agonistas dopaminérgicos, especialmente a cabergolina, constituem a terceira opção, geralmente reservada para pacientes com hipersecreção leve de GH ou como terapia adjuvante, apresentando eficácia limitada (normalização do IGF-1 em cerca de 30-40% dos casos) .
O cenário terapêutico foi recentemente revolucionado pela aprovação da paltusotina pela FDA em setembro de 2025, representando o primeiro agonista oral não peptídico do SSTR2 disponível para tratamento da acromegalia . Desenvolvida como opção de dose única diária, a paltusotina demonstrou em estudos clínicos manutenção do controle bioquímico e sintomático em pacientes previamente estabilizados com SRLs injetáveis, com perfil de segurança favorável e meia-vida prolongada de aproximadamente 30 horas . Esta inovação farmacológica promove supressão dose-dependente do GH (44-93%) e do IGF-1 (19-37%) por meio de ativação seletiva do SSTR2 com sinalização intracelular diferenciada, potencialmente reduzindo a carga terapêutica associada às administrações injetáveis de longa duração .
O consenso internacional atual preconiza estratégia individualizada, frequentemente combinando diferentes classes terapêuticas em pacientes refratários, com taxas de uso de terapias combinadas atingindo cerca de 30% nos centros de excelência . O monitoramento rigoroso dos níveis de GH e IGF-1, associado ao controle das comorbidades cardiovasculares, metabólicas e osteoarticulares, permanece essencial para normalizar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida destes pacientes .
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