Vinorelbina
A Vinca Semissintética para Carcinoma Pulmonar
A vinorelbina é um alcaloide da vinca semissintético, desenvolvido com o objetivo de melhorar o índice terapêutico e expandir o espectro de atividade, particularmente para o carcinoma de pulmão de não pequenas células (CPNPC). A modificação química no anel cataratano resulta em alterações farmacológicas significativas: mantém a alta afinidade pela tubulina mitótica, mas tem uma afinidade reduzida pela tubulina envolvida nos microtúbulos neurais. Esta seletividade relativa traduz-se clinicamente em uma neurotoxicidade periférica menos proeminente do que a da vincristina, permitindo um manejo mais fácil e uma melhor qualidade de vida para o paciente.
O mecanismo de ação é o mesmo: ligação à tubulina, inibição da polimerização dos microtúbulos e parada mitótica. A vinorelbina é um agente de primeira linha no tratamento do CPNPC avançado, tanto em monoterapia (para pacientes mais frágeis) como em combinação com cisplatina ou carboplatina. É também uma opção eficaz no carcinoma de mama metastático, em segunda ou terceira linha, e pode ter um papel no câncer de ovário e linfoma de Hodgkin refratário. Pode ser administrada por via intravenosa ou, em algumas formulações e países, por via oral, o que oferece conveniência significativa.
O perfil de toxicidade da vinorelbina reflecte a sua desenhada seletividade. A toxicidade dose-limitante é a neutropenia, que é comum mas geralmente de curta duração e previsível. A neurotoxicidade periférica (parestesias, hiporreflexia) ocorre, mas é geralmente de grau leve a moderado e cumulativa, tornando-se mais significativa após múltiplos ciclos. Uma toxicidade distintiva e muito comum é a irritação venosa e flebite. A infusão deve ser feita com diluição adequada em um volume maior e seguida de um bom lavagem da veia com soro fisiológico para minimizar este efeito. Constipação ocorre, mas raramente é grave como com a vincristina. Outros efeitos incluem astenia, náuseas, alopecia (menos intensa que com outros agentes), e risco de extravasamento (é um irritante, podendo causar flebite, mas menos vesicante que a vincristina). O seu perfil de toxicidade mais manejável, especialmente no que diz respeito ao sistema nervoso, e a sua eficácia comprovada no CPNPC, consolidaram o seu papel como um dos inibidores do fuso mais utilizados nessa doença.
Comentários
Postar um comentário