O mito do "natural"
Fitoterápicos também têm fármacos
A aprovação do PL 2158 pela Câmara dos Deputados, em 2 de março de 2026, que autoriza a instalação de farmácias e drogarias dentro da área de venda de supermercados e estabelecimentos similares, traz à tona uma discussão importante sobre a percepção da população em relação aos medicamentos, especialmente os de origem natural. Muitas pessoas acreditam que produtos fitoterápicos são totalmente seguros por serem derivados de plantas, mas essa ideia ignora um aspecto fundamental: mesmo substâncias naturais contêm princípios ativos com efeitos farmacológicos.
Os fitoterápicos são medicamentos produzidos a partir de plantas medicinais, mas passam por processos científicos de padronização, controle de qualidade e avaliação de segurança. Isso ocorre porque as plantas contêm compostos químicos capazes de atuar no organismo humano, produzindo efeitos terapêuticos, e também possíveis reações adversas. Em outras palavras, o fato de um produto ser “natural” não significa que ele esteja livre de riscos.
Assim como qualquer outro medicamento, os fitoterápicos podem interagir com outros fármacos, causar efeitos colaterais e perder estabilidade química ao longo do tempo. Após o vencimento do prazo de validade ou quando armazenados inadequadamente, seus compostos podem se degradar, reduzindo a eficácia ou até gerando substâncias indesejadas.
Nesse contexto, o farmacêutico exerce um papel essencial ao orientar o paciente sobre o uso correto desses produtos, esclarecendo dúvidas e alertando sobre possíveis riscos. A farmácia, portanto, não é apenas um ponto de venda, mas um espaço de cuidado e orientação em saúde.
Ao permitir que medicamentos sejam vendidos em ambientes comerciais como supermercados, o PL 2158 pode reforçar a falsa ideia de que produtos naturais são simples itens de consumo. Preservar o ambiente da farmácia e a orientação profissional é fundamental para combater esse mito e garantir o uso seguro dos fitoterápicos.
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