Vitaminas e suplementos
uso em crianças e idosos
O uso de vitaminas e suplementos em crianças e idosos requer considerações especiais, dadas as necessidades nutricionais específicas destas faixas etárias e os riscos particulares de deficiência ou excesso.
Em crianças, as necessidades nutricionais são elevadas para suportar o crescimento e desenvolvimento. A suplementação de vitamina D é recomendada universalmente para lactentes em aleitamento materno exclusivo (400 UI/dia) e para crianças com fatores de risco para deficiência (baixa exposição solar, pele escura, obesidade). A deficiência de vitamina D em crianças pode causar raquitismo, condição caracterizada por deformidades ósseas.
O ferro é outro nutriente crítico na infância. A deficiência de ferro é a deficiência nutricional mais comum no mundo e causa anemia ferropriva, que compromete o desenvolvimento cognitivo e motor. A suplementação profilática de ferro é recomendada para lactentes a partir dos 6 meses (1 mg/kg/dia) até os 2 anos, em regiões com alta prevalência de anemia. O diagnóstico de anemia ferropriva exige tratamento com doses terapêuticas (3-5 mg/kg/dia) até normalização dos níveis, seguido de manutenção.
A vitamina A é suplementada em programas de saúde pública em regiões com deficiência endêmica, devido ao seu papel na imunidade e na saúde ocular. A megadoses semestrais são utilizadas em crianças de 6-59 meses em áreas de risco.
O flúor, embora não seja vitamina, é suplementado em regiões sem água fluoretada para prevenção de cáries. A dose deve ser cuidadosamente ajustada para evitar fluorose dentária.
Em crianças, o uso de suplementos sem indicação pode ser prejudicial. O excesso de vitamina A pode causar hepatotoxicidade e pseudotumor cerebral. O excesso de ferro é uma das principais causas de intoxicação acidental em crianças, potencialmente fatal. Suplementos devem ser mantidos fora do alcance de crianças.
Em idosos, as alterações fisiológicas do envelhecimento (redução da absorção intestinal, alterações no metabolismo, redução da exposição solar) aumentam o risco de deficiências nutricionais. A deficiência de vitamina D é extremamente comum, associada a sarcopenia, osteoporose, quedas e fraturas. A suplementação de 800-1000 UI/dia é recomendada para a maioria dos idosos.
A deficiência de vitamina B12 é comum em idosos, principalmente por gastrite atrófica (redução da absorção). A suplementação pode ser necessária, particularmente em vegetarianos estritos e em usuários crônicos de metformina ou IBP. A via oral em altas doses (1000-2000 μg/dia) é eficaz mesmo na presença de má absorção.
O cálcio, quando a ingestão dietética é insuficiente (<1000-1200 mg/dia), pode ser suplementado para prevenção de osteoporose. No entanto, a suplementação em altas doses (>1000 mg/dia) tem sido associada a aumento do risco cardiovascular em alguns estudos, contrastando com o cálcio dietético, que é protetor. A preferência deve ser por fontes dietéticas de cálcio.
As vitaminas antioxidantes (A, C, E) em altas doses não demonstraram benefício na prevenção de doenças crônicas em idosos e podem ser prejudiciais, como discutido.
A suplementação proteica pode ser benéfica em idosos com sarcopenia (perda de massa muscular associada à idade). A recomendação é de 1,0-1,2 g/kg/dia de proteína, podendo chegar a 1,5 g/kg/dia em idosos com doenças agudas ou crônicas. Suplementos proteicos podem ajudar a atingir estas metas.
A interação de suplementos com medicamentos é particularmente relevante em idosos polimedicados, como discutido em capítulo anterior.
A PL 2158/23, ao permitir farmácias em supermercados, amplia o acesso a vitaminas e suplementos para crianças e idosos em ambientes com mínima orientação profissional. Um lactente que receba suplemento de vitamina D em dose de adulto, um idoso que consuma altas doses de vitamina E "para memória", cada cenário representa risco evitável. Defender o uso racional de vitaminas e suplementos é assegurar que a suplementação seja baseada em necessidades reais, que as doses sejam adequadas à faixa etária e que os riscos de excesso sejam conhecidos e comunicados.
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