Impacto Econômico do Uso Irracional

 Impacto Econômico do Uso Irracional


O uso irracional de medicamentos impõe um ônus econômico significativo ao sistema de saúde e à sociedade brasileira, com custos diretos (gastos com medicamentos desnecessários, hospitalizações, procedimentos) e indiretos (perda de produtividade, aposentadorias precoces, sofrimento humano).

O gasto total com saúde no Brasil corresponde a 9,7% do PIB, com a parcela pública representando 41,6% deste total. O gasto com medicamentos situa-se em torno de 1,9% do PIB, com uma parcela substancial do financiamento proveniente do setor privado. Este modelo, em que o financiamento privado predomina, torna as famílias particularmente vulneráveis ao impacto econômico do uso irracional.

Aproximadamente 70% da aquisição de medicamentos é feita por desembolso direto da população . Isto significa que o custo do uso irracional recai majoritariamente sobre o orçamento familiar, comprometendo a renda disponível para outras necessidades básicas.

As hospitalizações por eventos adversos a medicamentos representam um custo evitável significativo. Sangramentos gastrointestinais por anti-inflamatórios, lesões renais por uso inadequado, hepatotoxicidade por paracetamol e outras complicações resultam em milhares de internações anuais, com custos diretos expressivos para o SUS.

A resistência bacteriana, consequência do uso irracional de antibióticos, tem impacto econômico crescente. Infecções por bactérias multirresistentes requerem internações mais prolongadas, antibióticos mais caros e procedimentos mais complexos, elevando os custos do tratamento.

A judicialização da saúde, frequentemente associada a demandas por medicamentos sem avaliação de custo-efetividade, representa um gasto crescente. Estima-se que aproximadamente um terço do orçamento destinado a medicamentos seja direcionado ao cumprimento de decisões judiciais , recursos que poderiam beneficiar coletividades.

Os custos indiretos do uso irracional incluem perda de produtividade por absenteísmo (faltas ao trabalho por doença ou consultas) e presenteísmo (trabalho com desempenho reduzido), além de aposentadorias precoces por incapacidade.

A combinação estratégica entre o programa Farmácia Popular e a escolha por medicamentos genéricos representa uma economia que ultrapassa rotineiramente os 70% no orçamento familiar destinado à saúde . A política de genéricos, ao reduzir preços, tem impacto positivo direto na economia das famílias.

O uso racional de medicamentos, ao reduzir desperdícios e complicações, contribui para a sustentabilidade do sistema de saúde. Cada real investido em prevenção e educação em saúde retorna em benefícios econômicos amplamente superiores.

A PL 2158/23, ao permitir farmácias em supermercados, pode aumentar o consumo de medicamentos isentos de prescrição, com potencial impacto nos gastos com saúde por uso inadequado e eventos adversos. A economia da saúde será fundamental para avaliar o impacto líquido da medida.

Defender o uso racional de medicamentos é também defender a economia do país e das famílias. É assegurar que os recursos escassos sejam aplicados onde podem gerar maior benefício, evitando desperdícios e danos evitáveis.

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