Medicamentos e Falsificação
A falsificação de medicamentos é um crime grave e um problema de saúde pública mundial, com estimativas de que 10% dos medicamentos comercializados em países de baixa e média renda sejam falsificados. No Brasil, o problema também é significativo, com apreensões frequentes de produtos ilegais.
Medicamentos falsificados são aqueles produzidos com desvio intencional de identidade ou composição. Podem conter princípio ativo em quantidade incorreta, nenhum princípio ativo, substâncias tóxicas, ou serem acondicionados em embalagens falsas que imitam produtos legítimos.
Os riscos dos medicamentos falsificados são enormes: ineficácia terapêutica (não curam a doença), toxicidade (podem conter substâncias nocivas), resistência antimicrobiana (doses subterapêuticas de antibióticos), e morte.
Os medicamentos mais falsificados são aqueles de alto custo (antibióticos, hormônios, medicamentos para disfunção erétil, anabolizantes) e os de grande consumo (analgésicos, anti-inflamatórios). A falsificação de medicamentos para doenças crônicas (hipertensão, diabetes) também é comum.
O comércio ilegal de medicamentos ocorre principalmente pela internet, em feiras livres, e em estabelecimentos não autorizados (farmácias clandestinas). A compra de medicamentos pela internet em sites não autorizados é particularmente arriscada.
A ANVISA e as vigilâncias sanitárias estaduais e municipais atuam na fiscalização e combate à falsificação. Apreensões são frequentes, e os responsáveis são processados criminalmente.
A identificação de medicamentos falsificados pode ser difícil para o consumidor. Alterações na embalagem, no aspecto do comprimido, no cheiro ou no sabor podem ser sinais de alerta. A compra em estabelecimentos autorizados e com nota fiscal é a principal medida de proteção.
A rastreabilidade de medicamentos, por meio de sistemas de identificação única (códigos de barras 2D), é uma ferramenta importante para combater a falsificação. O Sistema Nacional de Controle de Medicamentos (SNCM) está em implementação no Brasil.
A educação da população sobre os riscos da compra de medicamentos em locais não autorizados é essencial. Campanhas de conscientização devem alertar sobre os perigos da falsificação e orientar sobre a compra segura.
A cooperação internacional é fundamental para o combate à falsificação, que é um crime transnacional. Interpol, OMS e agências nacionais atuam em conjunto para desmantelar redes de falsificação.
A PL 2158/23, ao permitir farmácias em supermercados, não deve aumentar o risco de falsificação, desde que os estabelecimentos cumpram as exigências legais e sejam fiscalizados adequadamente. No entanto, a proliferação de pontos de venda pode dificultar a fiscalização e criar oportunidades para o comércio ilegal.
Defender o combate à falsificação de medicamentos é defender a vida. É assegurar que cada medicamento adquirido pela população seja seguro, eficaz e de qualidade. É fortalecer a fiscalização, a rastreabilidade e a educação da população para que ninguém seja vítima deste crime hediondo.
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