Medicamentos e Futuro do SUS

 Medicamentos e Futuro do SUS



O futuro do SUS na área de medicamentos será moldado por múltiplos fatores: desafios demográficos e epidemiológicos, avanços tecnológicos, restrições orçamentárias, e opções políticas. O que está em jogo é a capacidade do sistema de garantir o direito à saúde de forma universal, integral e equitativa.

O envelhecimento populacional aumentará a demanda por medicamentos para doenças crônicas, exigindo financiamento adequado e gestão eficiente da assistência farmacêutica. A prevenção de doenças e a promoção do envelhecimento saudável são estratégias fundamentais para conter custos.

A incorporação de novas tecnologias, muitas de alto custo, pressionará os orçamentos públicos. A avaliação criteriosa de custo-efetividade pela Conitec será cada vez mais importante para garantir que os recursos sejam alocados onde podem gerar maior benefício.

A resistência antimicrobiana exigirá ações coordenadas de vigilância, prevenção de infecções e promoção do uso racional de antibióticos. O SUS terá que lidar com o aumento da morbimortalidade por infecções resistentes.

A produção nacional de medicamentos, por meio de laboratórios públicos e PDPs, será estratégica para reduzir custos, garantir abastecimento e promover o desenvolvimento industrial.

A assistência farmacêutica na atenção primária precisará ser fortalecida, com farmacêuticos integrados às equipes de Saúde da Família, atuando na promoção do uso racional e no acompanhamento de pacientes crônicos.

A farmácia clínica e o cuidado farmacêutico deverão ser expandidos, com farmacêuticos realizando acompanhamento farmacoterapêutico, reconciliação medicamentosa e educação em saúde.

A farmacovigilância e a tecnovigilância precisarão ser aprimoradas, com sistemas de notificação mais robustos e capacidade de resposta rápida a problemas de segurança.

A judicialização da saúde continuará sendo um desafio. Será necessário encontrar soluções que garantam o direito individual sem comprometer a equidade e a sustentabilidade do sistema.

A participação social e o controle social deverão ser fortalecidos, garantindo que as decisões sobre medicamentos reflitam as necessidades da população.

A PL 2158/23, ao permitir farmácias em supermercados, representa um risco para o futuro do SUS na área de medicamentos. Ao tratar o medicamento como mercadoria e fragilizar a orientação farmacêutica, o projeto pode aumentar o uso irracional, os eventos adversos e os custos para o sistema, comprometendo a sustentabilidade e a qualidade do cuidado.

Defender o futuro do SUS na área de medicamentos é defender o fortalecimento do sistema público, a valorização dos profissionais de saúde, a promoção do uso racional e o acesso equitativo a medicamentos de qualidade. É assegurar que o SUS continue sendo uma conquista da cidadania e um patrimônio do povo brasileiro.

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