Medicamentos e População LGBTQIA+

 Medicamentos e
População LGBTQIA+




A população LGBTQIA+ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, queer, intersexo, assexuais e outras) apresenta necessidades específicas de saúde, incluindo particularidades no uso de medicamentos que devem ser consideradas por profissionais de saúde para garantir cuidado adequado e livre de discriminação.

As pessoas transgênero (transexuais, travestis, não-binárias) podem fazer uso de hormonioterapia para afirmar sua identidade de gênero. O uso de estrogênios e antiandrógenos por mulheres trans, e de testosterona por homens trans, deve ser acompanhado por profissionais capacitados, com monitorização de efeitos adversos (risco trombótico com estrogênios, alterações metabólicas com testosterona) e ajustes posológicos.

A hormonioterapia cruzada pode interagir com medicamentos para outras condições. Estrogênios podem interagir com anticonvulsivantes (fenitoína, carbamazepina) e antirretrovirais (por indução/inibição enzimática). A testosterona pode potencializar o efeito de anticoagulantes orais.

A profilaxia pré-exposição (PrEP) para HIV, com tenofovir/emtricitabina, é particularmente relevante para populações com maior vulnerabilidade, incluindo homens que fazem sexo com homens, pessoas trans e profissionais do sexo. A adesão à PrEP é fundamental para sua eficácia.

A profilaxia pós-exposição (PEP) deve ser oferecida a qualquer pessoa com exposição de risco ao HIV, independentemente de orientação sexual ou identidade de gênero. O acesso imediato (até 72 horas) é crítico.

A saúde sexual da população LGBTQIA+ inclui necessidades específicas de prevenção e tratamento de infecções sexualmente transmissíveis (IST). O rastreamento regular e o tratamento adequado de sífilis, gonorreia, clamídia e outras IST são essenciais.

A saúde mental é área de particular vulnerabilidade para a população LGBTQIA+, com maior prevalência de depressão, ansiedade, ideação suicida e uso abusivo de substâncias, relacionadas ao estigma, discriminação e violência. O acesso a psicoterapia e, quando indicado, a psicofármacos, deve ser garantido.

O uso de substâncias para fins recreativos (álcool, tabaco, outras drogas) pode ter padrões específicos em subgrupos da população LGBTQIA+ e interagir com medicamentos em uso.

A farmacovigilância deve estar atenta a possíveis diferenças na resposta a medicamentos relacionadas à identidade de gênero e ao uso de hormonioterapia, embora os dados sejam limitados.

A formação de profissionais de saúde para o atendimento livre de discriminação à população LGBTQIA+ é essencial. O uso de nome social, o respeito à identidade de gênero e a comunicação inclusiva são aspectos fundamentais do cuidado.

A PL 2158/23, ao permitir farmácias em supermercados, não se relaciona especificamente com a população LGBTQIA+, mas o ambiente de farmácia comunitária deve ser acolhedor e livre de discriminação para todos.

Defender o uso racional de medicamentos para a população LGBTQIA+ é assegurar que as necessidades específicas deste grupo sejam conhecidas e respeitadas. É promover o acesso a hormonioterapia segura, a profilaxias para HIV, e a cuidados em saúde mental. É, fundamentalmente, garantir que a diversidade seja acolhida e que ninguém seja discriminado no acesso à saúde.

Comentários