Novas Terapias Biológicas

 Novas Terapias Biológicas




As novas terapias biológicas representam uma das fronteiras mais avançadas da farmacoterapia contemporânea, oferecendo opções de tratamento para doenças antes consideradas incuráveis ou de difícil manejo. Seu desenvolvimento tem sido impulsionado pelos avanços da biotecnologia e pela compreensão cada vez mais detalhada dos mecanismos moleculares das doenças.

Os anticorpos monoclonais são a classe de biológicos de maior sucesso comercial e terapêutico. Utilizados no tratamento de câncer (rituximabe, trastuzumabe, pembrolizumabe), doenças autoimunes (adalimumabe, infliximabe, tocilizumabe) e outras condições, atuam ligando-se a alvos específicos (antígenos) com alta precisão.

Os inibidores de checkpoint imunológico (anti-PD-1, anti-PD-L1, anti-CTLA-4) revolucionaram o tratamento do câncer ao "desativar os freios" do sistema imunológico, permitindo que as células de defesa ataquem os tumores. Seu uso tem se expandido para diversos tipos de câncer, com resultados impressionantes em alguns casos.

As terapias-alvo de pequenas moléculas (inibidores de tirosina quinase, inibidores de proteassoma) atuam em vias moleculares específicas envolvidas no crescimento e progressão tumoral. São administradas por via oral, o que facilita o tratamento, mas exigem adesão rigorosa.

As terapias celulares, como CAR-T cells, representam um avanço ainda mais radical. Consistem em modificar geneticamente as células de defesa do próprio paciente para que reconheçam e ataquem as células tumorais. Os resultados em certos tipos de leucemia e linfoma são impressionantes.

As terapias gênicas visam corrigir defeitos genéticos responsáveis por doenças hereditárias. A inserção de uma cópia funcional do gene defeituoso pode, em tese, curar a doença. Várias terapias gênicas já foram aprovadas para doenças raras.

O mercado brasileiro de medicamentos biológicos tem crescido rapidamente, com taxas de crescimento nominal de 13,37% em 2023 . Este crescimento é impulsionado pela incorporação destes medicamentos ao SUS para tratamento de doenças como artrite reumatoide, doença de Crohn, psoríase e diversos tipos de câncer.

Os desafios das novas terapias biológicas incluem: custo extremamente elevado, necessidade de infraestrutura especializada para administração e monitoramento, riscos de efeitos adversos graves (reações infusionais, imunossupressão, toxicidades específicas), e questões éticas relacionadas ao acesso equitativo.

A produção nacional de medicamentos biológicos, por meio de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs), é estratégica para reduzir custos e ampliar o acesso. Laboratórios públicos como Fiocruz e Butantan têm investido na produção de biológicos.

A PL 2158/23, ao permitir farmácias em supermercados, não se relaciona com novas terapias biológicas, que são de uso predominantemente hospitalar ou de dispensação em farmácias especializadas do CEAF. No entanto, a complexidade e o custo destas terapias contrastam com a simplificação que o projeto representa para os medicamentos em geral.

Defender o acesso racional a novas terapias biológicas é defender que a incorporação destas tecnologias seja baseada em evidências robustas, que a farmacovigilância seja intensificada e que o acesso seja equitativo.

Comentários