Fluxo de Entrada: Notas Fiscais, Compras e Manifesto de Carga em farmacia

Fluxo de Entrada
Notas Fiscais, Compras e Manifesto
de Carga em Farmacia


Recebimento, conferência de NF
e escrituração correta de entradas no sistema


Todo medicamento controlado que entra no estoque de uma farmácia comercial precisa ter sua origem documentada e registrada no SNGPC com precisão absoluta. O fluxo de entrada, que começa no momento em que o entregador deposita as caixas no recebimento e termina quando a nota fiscal é escriturada no sistema, é um processo que exige atenção técnica em cada etapa. Negligenciar qualquer um de seus passos gera discrepâncias entre o estoque virtual e o físico que, cedo ou tarde, se tornarão visíveis em uma auditoria ou inspeção.

O recebimento físico começa pela conferência da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) emitida pelo distribuidor. Antes de assinar qualquer protocolo de entrega, o farmacêutico ou o responsável pelo recebimento deve verificar, item por item, se os produtos descritos na nota correspondem exatamente ao que foi entregue fisicamente. Essa conferência contempla: nome do produto, concentração e forma farmacêutica, quantidade de unidades ou embalagens, número de lote, data de validade e número de registro no Ministério da Saúde (MS). Um erro comum é aceitar uma caixa com lote diferente do informado na nota, ou com validade próxima ao vencimento sem notificação prévia ao fornecedor, situações que criam inconsistências imediatamente.

O número de registro no MS merece atenção especial: produtos controlados só podem circular com registro válido e vigente. Fornecedores idôneos raramente entregam produtos com registro vencido, mas isso pode ocorrer por falha interna do distribuidor. Verificar o registro no banco de dados da ANVISA antes de aceitar o produto é uma prática recomendável, especialmente para produtos de entrega esporádica ou de fornecedores novos.

Em caso de divergências quantidade incorreta, lote diferente do declarado na nota, produto avariado ou vencido, o procedimento correto é recusar o item divergente no ato da entrega, registrando a discrepância no canhoto ou protocolo da transportadora. Posteriormente, a nota deve ser tratada junto ao distribuidor para emissão de nota de devolução ou carta de correção, conforme o caso. Nunca se deve aceitar fisicamente um produto e simultaneamente lançar uma quantidade ou lote diferente no sistema com a intenção de "ajustar depois", esse ajuste frequentemente não ocorre, e a divergência persiste.

O Manifesto de Carga, exigido pela legislação de transporte de produtos controlados, é o documento que autoriza e rastreia o transporte desses medicamentos entre origem e destino. Ao receber a entrega, a farmácia deve verificar se o manifesto está presente, corretamente preenchido e se os dados coincidem com a nota fiscal. O manifesto deve ser arquivado junto com a nota fiscal correspondente, pois pode ser solicitado durante inspeções sanitárias.

A escrituração da entrada no software de gestão integrado ao SNGPC deve ocorrer no mesmo dia do recebimento, ou no máximo no dia útil seguinte. O lançamento tardio de entradas cria uma janela de tempo em que o produto existe fisicamente no armário mas não consta no sistema, situação que pode ser interpretada como produto de origem não declarada. Os campos obrigatórios no lançamento de entrada incluem: número da nota fiscal, CNPJ do fornecedor, data de emissão da nota, nome do produto, lote, data de validade, quantidade e unidade de medida. O sistema gera automaticamente o novo saldo de estoque virtual para aquele lote após o lançamento, que deve ser conferido imediatamente com o estoque físico. Qualquer diferença entre o saldo virtual e o físico deve ser investigada antes que novas vendas sejam realizadas com aquele produto.



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