Perdas, Roubos, Avarias e Vencidos
Procedimentos de Baixa
Como dar baixa correta no sistema e manter a integridade do estoque
virtual
Nem todo medicamento controlado que entra no estoque de uma farmácia sai
pela venda. Ampolas são quebradas, embalagens são avariadas no transporte
interno, produtos chegam ao vencimento sem ser dispensados, amostras são
utilizadas para verificação da qualidade, e em situações mais graves, roubos ou
furtos subtraem produtos do armário. Cada uma dessas saídas "não
comerciais" precisa ser devidamente registrada no SNGPC com o tipo de
baixa correto e a documentação de suporte correspondente. Ignorar esse processo
é o caminho mais direto para acumular divergências entre o estoque virtual e o
físico, que é exatamente o que a Vigilância Sanitária vai comparar durante uma
inspeção.
O SNGPC reconhece categorias específicas de baixa que não constituem vendas.
As mais comuns são: descarte por vencimento, avaria ou quebra, roubo ou furto
com Boletim de Ocorrência, apreensão pela Vigilância Sanitária, transferência
para outro estabelecimento do mesmo CNPJ, e devolução ao fornecedor. Cada
categoria exige documentação específica que deve ser arquivada fisicamente na
farmácia e associada ao registro eletrônico no sistema.
O descarte de medicamentos vencidos é a situação mais frequente. Antes de
qualquer descarte físico, o produto deve ter sua baixa registrada no sistema.
Em seguida, o descarte deve seguir a legislação ambiental vigente: medicamentos
não podem ser descartados em lixo comum. A maioria dos municípios brasileiros
conta com pontos de coleta de medicamentos vencidos (programa Descarte
Consciente ou similar), e alguns distribuidores oferecem logística reversa. O
farmacêutico deve gerar um Relatório de Descarte interno, assinado por ele e
por uma testemunha, descrevendo produto, lote, quantidade e destino, e arquivar
esse documento como comprovante da baixa.
Em caso de roubo ou furto, o procedimento tem duas frentes simultâneas: a
operacional, comunicação imediata à segurança pública com registro de Boletim
de Ocorrência (BO), e a sanitária, notificação à Vigilância Sanitária local
dentro do prazo definido pela legislação municipal e estadual. A baixa no SNGPC
deve ser feita na categoria correta (roubo/furto), referenciando o número do
BO. A omissão dessa notificação, além de dificultar a investigação policial,
configura infração sanitária. A VISA, ao cruzar o estoque virtual com o físico
em uma inspeção posterior, identificará o produto faltante, e sem o registro
de baixa e o BO correspondente, a interpretação será de desvio não justificado,
com consequências mais graves do que a notificação imediata.
Avarias e quebras de ampola devem ser registradas com Termo de Avaria
interno, assinado pelo farmacêutico RT e, se possível, por uma testemunha. A
frequência excessiva de avarias no mesmo produto pode levantar suspeitas
durante uma inspeção, portanto é fundamental que esses registros reflitam
situações reais e pontuais. O mesmo vale para baixas por amostra grátis ou uso
interno, categorias que devem ser usadas com critério e documentadas
adequadamente.
A escrituração dessas baixas no sistema deve ocorrer no mesmo dia em que o evento acontece ou é descoberto. O atraso nos registros cria janelas de inconsistência que dificultam a reconciliação posterior. Uma boa prática é designar o farmacêutico RT como responsável exclusivo pelo registro de todas as baixas não comerciais, centralizando o processo e garantindo que a documentação física e o lançamento eletrônico ocorram de forma simultânea e coordenada. O objetivo final é simples: o saldo virtual de cada lote no SNGPC deve corresponder, a qualquer momento, ao número exato de unidades fisicamente presentes no armário de controlados.
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